Meirelles aprofunda impasse entre PMDB e PSDB para 2018

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Ao afirmar que o governo de Michel Temer terá um candidato próprio à Presidência em 2018 e que ele não será o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, aprofundou a crise do Planalto e do PMDB com o PSDB. Os tucanos subiram o tom das respostas a Meirelles, acusando-o de ter assumido uma posição que pode ser danosa nas relações entre os dois partidos por “ansiedade”. E disseram que sua candidatura “começa muito mal”.

Líderes do PSDB saíram em defesa de Alckmin e disseram ter dúvidas de que o ministro da Fazenda, que fez as declarações em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, tenha condições de sustentar uma candidatura a presidente ou que possa influir nas alianças de 2018, porque não tem controle sobre o PSD, seu partido. Por outro lado, parlamentares da base e da oposição avaliam que as declarações podem ser um tiro no pé e desandar as articulações da reforma da Previdência. As informações são de Maria Lima, O Globo.

— Nessa altura, quando a reforma ainda está sendo discutida e o governo aposta tudo em votá-la, tem que puxar pra dentro, não empurrar pra fora. É loucura você afugentar apoios dessa forma. Menosprezar quem está ajudando o governo é muito feio. Meirelles começou mal, não se faz campanha assim — disse o líder do PSDB, Ricardo Tripoli (SP).

O PSDB está em vias de desembarcar do governo, na convenção do próximo sábado, e o texto do governo para a reforma da Previdência ainda divide os tucanos, que devem decidir quarta-feira se fecham questão sobre o tema.

O presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV), José Aníbal, disse que a “ansiedade” levou Meirelles a falar o que “não devia”.

— Ele ia tão bem… Meirelles falou o que não devia e vai ouvir o que não queria — comentou Aníbal, deixando claro que as declarações do ministro da Fazenda, sobre isolar Geraldo Alckmin para 2018, causaram muita irritação entre os tucanos.

O líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), lembrou que Meirelles foi o deputado mais votado da história política de Goiás, pelo PSDB, em 2002. Mas, eleito, o ex-presidente Lula o convidou para presidir o Banco Central, e ele não titubeou em abandonar o partido, mostrando que “não é muito identificado com processos eleitorais”.

— Se está se colocando como um provável candidato a presidente, não é um bom começo iniciar a campanha falando mal dos outros — disse Paulo Bauer.

O presidente Michel Temer aproveita as conversas sobre a reforma da Previdência para unir a base em torno de uma candidatura única à Presidência em 2018. Aliados do presidente propagam que os partidos que sustentam o governo devem eleger, em 2018, cerca de 300 deputados e que isso mostra a força eleitoral que a união dessas legendas podem representar.

Um dos mais próximos aliados de Temer, o ministro Moreira Franco, da Secretaria Geral, diz que ainda é prematuro falar em nome de candidatos, mas não deixa de citar o nome de Meirelles como um dos postulantes que poderiam ser escolhidos. Ele afirma ainda que, se for aprovada a reforma da Previdência, ela fará parte de um “círculo virtuoso” para favorecer candidatos em 2018.

— O nome virá com naturalidade, não temos que falar nisso ainda. O Meirelles é um quadro, mas temos que ter calma. O nome será escolhido com a participação dos partidos coligados — afirmou o ministro, sem comentar as declarações do ministro da Fazenda: — É natural que as candidaturas surjam, mas não é saudável que se comece pelos nomes. Temos que começar pelo que nos une. Temos uma base com ferramentas para uma candidatura extremamente forte, com mobilização eleitoral muito forte e que pode sobretudo garantir a governabilidade no futuro — disse Moreira Franco.

O posicionamento de Meirelles repercutiu negativamente até mesmo em outros partidos da base aliada.

— Não ajuda — criticou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Vice-líder do PMDB e provável futuro ministro da articulação política no lugar de Antônio Imbassahy, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) reconhece que Alckmin, como eventual candidato e futuro presidente do PSDB, possa ajudar a votar a reforma de olho nas alianças em 2018. (Colaboraram Catarina Alencastro e Leticia Fernandes)

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