Ex-presidente pretende manter o discurso agressivo

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Apesar de reações negativas no mercado financeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende manter o discurso mais à esquerda e a defesa da revisão de medidas do governo Michel Temer. O cálculo, segundo integrantes do PT, é que uma eventual modulação mais ao centro não conquistaria a simpatia do establishment para sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto e ainda desagradaria a base petista.

Ainda que sua candidatura dependa da Justiça, já que espera análise de recurso contra sua condenação pelo juiz Sergio Moro no caso do triplex, a plataforma de Lula diz que ele vai derrubar o teto de gastos públicos; revisar pontos da reforma trabalhista, como a permissão de jornadas de 12 horas; e voltar a turbinar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Dizem que o mercado está com medo do Lula. Eu não vou pedir voto pro mercado. Tem que votar contra mesmo”, discursou o ex-presidente em ato político em Diamantina, no último dia 28, durante caravana que fez por Minas Gerais.

Outra justificativa para o abandono da postura “Lulinha paz e amor” é que a principal função da pré-candidatura do ex-presidente é reforçar sua defesa perante a Lava Jato. O PT confia que Lula conseguirá pelo menos registrar sua candidatura, entre 20 de julho e 15 de agosto, antes de eventual confirmação, pela segunda instância, de sua condenação por corrupção e lavagem de dinheiro no caso que envolve o apartamento triplex no Guarujá, em São Paulo. Mesmo com o risco de Lula virar ficha suja e ficar inelegível, o PT pretende esticar a corda e insistir em sua candidatura.

Na tentativa de minimizar o temor do mercado financeiro, auxiliares de Lula afirmam que ele subiu o tom apenas na política, e que suas convicções sobre macroeconomia continuam as mesmas que guiaram seus oito anos de governo. Esses auxiliares ressaltam, por exemplo, que Lula fez um ajuste fiscal no início de seu primeiro mandato.

Ao atacar as medidas pró-mercado do governo Temer, Lula tenta fazer um contraponto à gestão do peemedebista, que é recorde de impopularidade. Mas, em alguns casos, como a proposta de reforma da Previdência, apesar de o ex-presidente atacá-la em seus discursos, ele se aproveitaria dela caso fosse eleito, segundo integrantes do PT, da mesma forma que aconteceu com a estabilidade econômica herdada do governo Fernando Henrique Cardoso.

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