Alckmin tenta unificar o PSDB, mas reunião tem ‘Fora, Aécio’

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Para o governador paulista Geraldo Alckmin, o momento era de “união e unidade”. Mas, com gritos de “Fora, Aécio”, a convenção estadual do PSDB-SP, realizada no domingo (12), na Assembleia Legislativa de São Paulo, mostrou que o racha no tucanato não cicatrizou.

O mestre de cerimônias do evento bem que tentou: “Eu quero que você abrace a pessoa ao seu lado e fale: ‘Eu amo o PSDB’”. Mas o clima paz e amor dissipava rápido quando o nome do senador mineiro era evocado. “Ele deveria colocar o pijama e voltar para a casa. Quieto ele ajuda mais”, disse à imprensa o presidente reeleito do diretório paulista da sigla, Pedro Tobias, sobre Aécio Neves.

Entre as últimas bicadas internas, destacam-se a permanência do PSDB no governo Michel Temer e a manobra de Aécio para reassumir a presidência nacional da legenda, destituir o senador Tasso Jereissati (CE) da interinidade e indicar o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman para o cargo.

No sábado, o PSDB-MG fez sua própria convenção, e nela Aécio reconheceu que é hora do partido deixar a administração peemedebista, mas “pela porta da frente, da mesma forma como entramos”. Ele disse, sem especificar qual cargo disputaria (se Senado ou governo mineiro), que seu nome no pleito de 2018 é garantido.

Aécio se licenciou da liderança tucana após a descoberta de uma gravação em que pede R$ 2 milhões ao empresário e delator Joesley Batista. O espaço que reconquistou no partido é danoso, segundo Tobias. “Compra caixão, se sobrar caixão por aí”.

Na mesma toada foi o secretário estadual Floriano Pesaro (Desenvolvimento Social), pré-candidato ao governo paulista. Para ele, Aécio “não pode contaminar membros do partido” e deve “se afastar para se defender” das acusações na Justiça.

Na convenção mineira Aécio “deitou e rolou”, afirmou o vereador Mário Covas Neto, que diz ter cogitado abandonar o PSDB, mas suspendeu a decisão por ora. “O ideal será esperar a convenção nacional (em dezembro)” para ver que rumo o tucanato tomará, afirmou. “Se saio agora, o grupo fisiológico ganha mais força”, avaliou Covas Neto.

Na semana passada, Tasso já havia acusado Aécio de “fisiologismo”, e o senador rebateu dizendo que rechaça essa “pecha”.

Tobias afirmou ainda que a situação do PSDB não é boa e que o futuro da legenda não pode ser decidido por um grupo de “40 pessoas”, referindo-se aos deputados federais e senadores. “Se alguém fez a coisa errada, que caia fora”, disse.

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